“O guitarrista limião EULOGIO GALLEGO MARTÍNEZ” (Ginzo de Límia, 02-09-1880 – ?)

A profesora e guitarrista Isabel Rei Samartím, recupera ao guitarrista limiao, cuxa historia escribe na súa tese doutoral.

EULOGIO GALLEGO MARTÍNEZ (Ginzo de Límia, 02-09-1880 – ?)

1.- A família de Eulogio Gallego Martínez. A sua vila natal.

O guitarrista Eulogio Gallego Martínez nasceu em Ginzo de Límia o dia 2 de setembro de 1880[1]. Era filho de Santos Gallego Ballesteros (ca. 1851 – 1919), natural de Boia (Aliste) e Leonarda Martínez Sánchez (ca. 1858 – 1941), natural de Terroso (Seabra), os quais regentavam uma pousada na vila limiã[2].Eulogio era mais um de treze irmãs e irmãos[3] no seio de uma típica família galega de trabalhadores autónomos com um negócio liberal como a hospedagem, assentados numa pequena vila do interior galaico, com certas possibilidades económicas que lhes permitiriam criar treze filhas e filhos, dentre os quais Eulogio iria estudar desde criança a carreira eclesiástica:Primeiro com os Padres Paulos de Banhos de Molgas, depois no Seminário Maior de Ourense e, finalmente, no de Compostela.

A primeira notícia sobre a família de Gallego Martínez é a dojornal[4]El Eco Antelano, de abril de 1912, recolhida pelo historiador Edelmiro Martínez Cerredelo no seu trabalho sobre a imprensa limiã, em que se relatam uns sucessos acontecidosentre portugueses que têm lugar na pousada de Santos Gallego, pai de Eulogio Gallego Martínez. A partir desse fio Martínez Cerredeloinforma de que entre os anos 1901 e 1918 Santos Gallego aparece como proprietário de uma estalagem e ultramarinos em Ginzo[5], a partir de 1922 o negócio figura a nome da sua viúva, Leonarda Martínez, a qual continuará nos anos posteriores à frente do estabelecimento[6].

Anúncio do Hotel Moderno de Santos Gallego e Leonarda Martínez

no El Eco Antelano do 14 de abril de 1912.

Dos irmãos e irmãs de Eulogio Gallego sabemos que estavam bem integrados na vida social limiã e que, como em muitas famílias, tinha havido irmãos nos dois bandos da disputa política do seu tempo, o fascista e o republicano. Destacam as informações sobre Aurelio Gallego, que em 1919, ano da morte do pai,é presidente do Recreo de Artesanos[7], em 1931 é nomeado fiscal do distrito de Ginzo pela Audiência Territorial da Crunha, anos depois figura como membro da Falange e em 1950 consta como proprietário de uma mercearia na mesma vila. E de Celso Gallego, que foi emigrante na Argentina, em 1931 foi nomeado tesoureiro[8]da Sociedade Filarmónica Antelana, constituida em 1929,que contava com escola de música, grupo de plectro, banda e escola de música, agrupações teatrais e musicais,salão de baile e cinema[9]. Também nesse ano é nomeado membro da Comissão Gestora Republicana em Ginzo, depois da anulação das eleições municipais do mês de abril[10]. É eleito 3.º Tenente Alcaide[11]. Pertence ao Partido Republicano Radical de Lerroux. Em 1941 figura como vice-presidente do Círculo Recreativo Antelano (Casino Antelano) e em 1950como tesoureiro[12].

Vista da rua G. Franco, atual Av. de Ourense em Ginzo de Límia, onde se localizava o Hotel Moderno de Santos Gallego e Leonarda Martínez (frente ao carro arrumado na berma).

O menino Eulogio Gallego Martínez ingressa com 11 anos na escola dos Padres Paulos (Congregação da Missão) que se tinham assentado pouco tempo antes do seu nascimento, em 1869, no santuário de Nossa Senhora dos Milagres, nos Banhos de Molgas, localidade ourensana situada entre Ginzo e Ourense. Ali estuda quatro cursos de Latim e Humanidades. Depois, com 15 anos, passa ao Seminário Maior de Ourense, onde estuda os três anos de Filosofia e os quatro anos de Teologia que se ministravam naquela instituição. Morou, portanto, na cidade de Ourense, quer como aluno externo, quer como interno, durante sete anos letivos (1895-1902) num momento de atividade guitarrística fundamental na cidade[13]. Em 1902, com 22 anos de idade, começaria os cursos em Compostela, cidade onde passou até 1905 a estudar cinco anos de Teologia, dois de grego e três de Direito Canônico[14]. Mas a realidade é que depois de todos os anos de estudo, dos informes de boa conduta dos seus tutores, e de quatro solicitudes, Eulogio Gallego não conseguiu a ordenação de Menores e Sub-diaconado. Foi este um facto relevante que mudou o rumo da sua vida.

2.- Ambiente musical em Ginzo deLímia. 

A habilidade e o talento de Eulogio Gallego Martínez que se adivinha através das crónicas dos recitais onde participou fazem pensar que o nosso guitarrista tinha aprendido a tocar muito antes de chegar a Compostela, possivelmente com os Padres Paulos ou talvez pela sua conta. A motivação e contatos que o levaram a desenvolver as suas qualidades musicais através da guitarra há que ir procurá-lasà intensa atividade popular e tradicional da comarca de Ginzo, e numa segunda etapa, ao ambiente guitarrístico da Ourense de entre séculos. No último terço do século XIX Ginzo era uma pequena vila do interior ourensano afastada da cidade que no início do século XX contava com 1.316 habitantes e o concelho inteiro com 5.435[15].O nosso guitarrista nasce em 1880, ano de fortes inundações que provocaram perdas económicas importantes na agricultura e receberam sustento da emigração na Argentina que, como era habitual nas colónias de emigrantes, organizavam-se para enviar contribuições aos seus lugares de origem[16]. Nessa comarca aparentemente isolada do mundo, a atividade musical e popular foi incesante durante o século XX. Os últimos estudos sobre a música popular limiã[17] evidenciam uma inclinação à formação espontánea de grupos, ao fabrico dos próprios instrumentos e o protagonismo da música em festas e eventos durante todo o ano, especialmente no Entrudo.

Em 1753 regista-se um gaiteiro em Ginzo:O catastro do Marquês da Ensenada contém uma listagem e relação juramentada dos empregos, ofícios, artes, faculdades, exercícios mecánicos e de serviços que há em Ginzo de Límia e os lugares de Lamas e Daimil. Depois dos correxedores, advogados, escrivãos, procuradores, alguacis, ministros ordinários, arrendatários, notários, mercaderes, cirurgiãos, alveitares, ferradores, abastecedores, estanqueiros, arrieiros, tecedoras [sic], taverneiros e taverneiras [sic] e pintores, aparece um gaiteiro que, junto com o mestre, os seus ingressos são valorizados em 100 reais de bilhão anuais, por diante de ferreiros que ganham 8, carpinteiros e lavradores, 4, e sapateiros e sastres, 3 reais:

“Gaiteros. A Francisco de Limia, vecino del lugar de Damil, por el oficio de gaitero, respecto no tiene salario diario sino lo que le quieren dar cuando asiste a las funciones, se le regula y contempla tendrá de utilidad por ello al año, cien reales[18].”

A utilidade pública verificada nas funções descritas e no salário anual estimado do gaiteiro indica uma necessidade social de contar com música, pagada por obra, com o estatuto de ofício à par dos outros ofícios, nos meados do século XVIII na comarca daLímia.

2.1.- As bandas de música limiãs.

Para conhecer o ambiente musical de um lugar é imprescindível seguir a história da suas bandas de música civis. Estas agrupações populares, das mais antigas e numerosas de que temos notícia, começam a organizar-se já na primeira metade do século XIX, inspiradas nas bandas militares e como produto da intensa troca musical entre os diversos países que protagonizaram as contendas bélicas, especialmente a França. Em Ginzo, concretamente na paróquia de Parada de Ribeira, tem-se notícia de Manuel Olmos, trombetista autodidata, que ensinou a tocar a vários membros da sua família e formaram na década de 1880 uma pequena agrupação musical.Quando num lugar há uma família de músicos, costuma existir todo um ambiente onde essa atividade artística se desenvolve com normalidade. Neste sentido, na sua etapa da infânciaEulogio Gallego vem a ser também filho desse ambiente artístico que necessariamente havia na Límia.

Banda Municipal republicana de Ginzo de Límia, ca. 1930.Info.: Martínez Cerredelo.

Mais para a frente, tem-se notícia de que na década de 1920 havia duas agrupações musicais do estilo de banda de música, uma na paróquia de Parada de Ribeira e outra na vila de Ginzo. Em 1924, um dos filhos de Manuel Olmos, José Olmos Alonso, funda a Unión Musical de Parada de Ribeira, órgão associativo da banda dessa paróquia. Em Ginzo dirigia outra agrupação bandística o músico Xosé Pena Fuentes que também em 1929 foi nomeado pela Sociedade Filharmónica Antelana diretor da banda de Ginzo. Em 1930 Martínez Cerredelo recolhe duas bandas com os nomes de Lira Antelana, dirigida por Xosé Álvarez, e Lira de Parada, dirigida por Xosé Pena[19]. Entre 1936 e 1939 as bandas dissolvem-se e voltam a seorganizar já na década de 1940 com o diretor Sr. Salvatierra[20].Durante esses anos e até aos 1960 desenvolve-se uma atividade que nos parece não deveu ser exclusiva desses tempos, senão que a zona tevesempre uma forte atividade musical, umas vezes mais reforçada e outras mais debilitada pelas repercussões sociais das guerras e da emigração.

2.2.- O Entrudo de Ginzo de Límia.

A partir do século XX há mais notícias do Entrudo, que é desde sempre a atividade musical por excelência em Ginzo.No seu trabalho, Martínez Cerredelo dedica um extenso capítulo à história do entrudo limião. Por ele sabemos que uma primeira notícia de uma comparsa é de 1904, chamada Tuna Antelana que, para além dos instrumentos de plectro e guitarras habituais, continha também violinos[21].Mas, o jornal limião mais antigo data de 1911. A falta de notícias do seu fastuoso entrudo no século XIX é correlativa à falta de meios jornalísticos ativos nesse século. Devemos supor que a origem ancestral destas festas é tão antiga em Ginzo quanto no resto da Galiza, se não mais, e ainda é uma festa vivida com grande intensidade nessa comarca nos tempos atuais.

Nestas festasa guitarra era protagonista. O ambiente musical também era influído pela proximidade das localidades portuguesas, onde as guitarras e instrumentos de plectro eram muito utilizados tanto na música popular quanto na erudita[22].Sobre isto lembremos as palavras do erudito de Pereiro de Aguiar, Padre Benito Feijoo:

“Yo nací en los confines de Portugal: por mi tierra veía pasar frecuentemente los de aquella Nación en romería a Santiago; pero muy raro sin su guitarra debajo del brazo.”

É muito possível que fossem as murgas, as comparsas e os grupos de plectro que habitualmente se prodigavam nestas festas os primeiros referentes de um Eulogio Gallego criança que começava a despertar o seu instinto musical e a paixão pela guitarra.

Xosé Pena Fuentes, diretor da banda de música de Ginzo, foi o autor do passo-dobre Ginzo de Limia, tocado pela Tuna Antelana no entrudo de 1929, com letra de Francisco Seijo Iglesias.Informação no blogue do Miro M. Cerredelo: historiadexinzo.wordpress.com. (01/09/2016)

3.- As sociedades artísticas e recreativas limiãs.

As sociedades limiãs[23] com salões para eventos eram a Sociedade Recreativa Casino Antelano, fundada em 1903, o Círculo Recreativo de Artesanos, cuja existência acreditamos em 1919, e a Sociedade Filarmónica Antelana, fundada em 1929, da qual Celso, o irmão de Eulogio, era sócio e tesoureiro. Em 1919 o jornal Juventud publica uma nota em que se indica que na altura unicamente há duas sociedades com salões para celebrar eventos (p. 89). Não especifica quais são estas sociedadas, mas entendemos que sejam o Casino Antelano e o Recreo de Artesanos. Entre os anos 1919 e 1925 acham-se referências a atividades musicais, da vila ou foráneas, e alguns colaboradores com interesse musical tais como:Uma resenha sobre Lohengrin de Wagner com resumo do libreto (p. 93).A existência de um grupo de plectro que tocou no 19 de março de 1923, sob a direção de um tal Moncho, filho do tenente de carabineiros, e anuncia tocar na Páscoa desse mesmo ano (p. 145).A passagem por Ginzo da banda de música de Riva d’Ávia, La Lira, dirigida por Vicente Astorga (p. 169).Um conto narração intitulado Las coplas de ciego, assinado por Luciano F. Bello, cujo protagonista é um cego violinista (p. 193).Um programa dos festejos do Corpus Christi de 1925 em que participa La Lira e gaiteiros (p. 199). Bailes no Casino Antelano (p. 203). E, para finalizar, um curioso poema dedicado “A mi querido amigo Antonio R. G. Montero, en prueba de amistad y agradecimiento por su composición musical Margaritiña“, assinado por José F. Dacal[24] em Ourense, 1925 (p. 227).Nos anos da ditadura regista-se também a Juventud Católica Benéfica Cultural[25]. 

4.- A etapa ourensana. 1895-1902.

Depois dos quatro primeiros anos passados com os Padres Paulos, Eulogio Gallego chega com 15 anos de idade ao Seminário Maior de Ourense, onde estudará para ordenar-se padre durante sete anos. Desta passagem pelo Seminário são prova duas solicitudes de ordenação de Prima Tonsura e Ordens Menores que se conservam no Arquivo Histórico Diocesano. Na segunda, o solicitante resume o seu currículo indicando que estudou naquela instituição três anos de Filosofia mais quatro de Teologia, alguns anos como aluno interno e outros como externo, o que lhe conferia maior liberdade de relacionamento social.

Eulogio Gallego é da mesma geração que outros guitarristas localizados em Áuria, tais como Ramón Gutiérrez-Parada, os irmãos Casasnovas ou Eduardo Rey Custodio. Ainda sem documentos a provarem que chegasse a conhecê-los, pela sua habilidade no instrumento e o fervilhar do ambiente guitarrístico de entre-séculos na cidade, não seria improvável que se tivessem encontrado nas reuniões musicais programadas em Ourense durante a temporada em que Eulogio Gallego estudou lá, especialmente nos anos em que foi aluno externo.

5.- Eulogio Gallego Martínez em Compostela. 1902-1905.

Depois de acabar os quatro cursos de Teologia em Ourense, Eulogio Gallego matricula-se no ano letivo 1902/03 no Seminário Conciliar de Compostela, para estudar quinto ano de Teologia e três cursos Direito Canônico. É neste período onde eclode a sua fama como intérprete e vira conhecido em toda a comarca compostelana. A sua atividade musical gira em torno ao Círculo Católico de Obreros, associação religiosa que a maior parte dos afiliados eram operários e artesãos, mulheres e homens com um ofício autónomo, ainda que na direção da entidade sempre se achavam pessoas das classes dominantes, da nobreza e do clero, unidas todas por uma vocação religiosa que parece amalgamara situação social na altura governada por uma nova Restauração bourbónica. O cronista, mestre e membro do Círculo, José María Moar Fandiño, autor da maior parte das notícias sobre o nosso guitarrista, afirma com ironia crítica que os membros dessa entidade eram alcunhados de “partido manso de socialistas católicos”[26]. Outros grandes músicos galegos, como o diretor e compositor Manuel Valverde e o pianista Enrique Lens eram protagonistas habituais das veladas do Círculo.

No recital de Entrudo organizado em 22 de fevereiro de 1903 pelo Círculo de Compostela, atuou Eulogio Gallego,descrito[27] pelo cronista José M.ª Moarcomo “alumno teólogo del Seminario, tiene derecho a mil plácemes por su música de armónicos y la ejecución de la Marcha de Luís XVI”. No mesmo recital intervieram o maestro Manuel Valverde dirigindo o orfeão e o grupo de plectro do Círculo, Enrique Lens ao piano, o barítono Muras e os poetas habituais do Círculo, José Santaló[28], Villelga[29], Vázquez Queipo[30], Silván[31]. Finalmente o cronista acrescenta umas palavras para descrever um outro evento organizado posteriormente no Círculo, mas anterior à publicação da sua crónica, em que houve um espectáculo de mágica científica a cargo de Mariano Subirá del Río e Santiago Casares Bescansa[32]. 

Em 26 de fevereiro de 1903, a Gaceta de Galicia publicauma extensa crónica de Juan San Emeterio de la Fuente[33], assinada em 24 de fevereiro sobre o mesmo evento. O recital em honra do Papa realizou-se o domingo, dia 22 de fevereiro, às 18:30h na sede do Círculo Católico de Obreros sito na Rua Nova. Em plenos festejos do Entrudo o cronista refere-se ao recital do Círculo por estas palavras publicadas a várias colunas na capa da Gaceta:

“Hermoso y grande, porque mientras las calles rebosaban de gente y una loca muchedumbre se agitaba nerviosamente de un lado para otro para contemplar embobada las ridículas mascaradas, un número crecidísimo de obreros se apartaban del bullicioso y frívolo mundo y buscaban solaz y recreo para sus almas y descanso para sus cuerpos, congregándose, animados de un mismo y noble deseo, para celebrar una velada literario musical y rendir un tributo de homenaje, de admiración, de respeto, de cariño, á la simpática figura del Vaticano, al amantísimo padre de los obreros, al soberano Pontífice León XIII, al venerable anciano, que cubierto de blancas vestiduras desempeña su apostolado de paz en la ciudad de los Césares y hacia el cual vuelven hoy los ojos todas las almas creyentes, todos los verdaderos hijos de la iglesia católica, apostólica, romana.”

A oposição frontal do catolicismo face aos festejos populares pagãos fica em evidência dando a razão àqueles críticos que achavam no Círculo uma espécie de escola de domesticação da classe operária compostelana. O cronista prossegue e informa de que o maestroEnrique Lenstocou uma Marcha Húngara, entendemos que possa ser a de Hector Berlioz (dentro de A condenação de Fausto) arranjada para piano por Franz Liszt.Especial interesse tem o orfeão e o grupo de plectro formados por operários membros do Círculo, que depois do trabalho se reuniam para formar essas agrupações musicais de amadores a aprenderem música graças às aulas do maestro e diretor Manuel Valverde. No seu recital tocaram uma balada intitulada Un juramento, música de Manuel Valverde e letra de Manuel Martínez, e uma peça do saineteEl Bateo de F. Chueca[34]. E sobre o nosso guitarrista:

“Mas, lo que causó gran hilaridad, lo que arrebató y cautivó la atención del público, lo que produjo un entusiasmo indescriptible, lo que hizo prorrumpir en gritos de admiración, particularmente entre los obreros, fueron un número de piezas, la diana, la retreta, etcétera, etc., que tocó admirablemente á la guitarra el joven estudiante don Eulogio Gallego, y que no se cansaban los presentes de hacérselas repetir una y otra vez. No se puede pedir más afinación, más maestría, más inteligencia, más sentimentalismo.”

A emoção suscitada pela guitarra de Eulogio Gallegoprova o seu talento, bem como o reportório escolhido provao seu conhecimento do mundo clássico espanhol. Essas peças breves são marchas militares, muito típicas durante todo o século XIX caracterizado pelos seus constantes confrontos bélicos, que têm uma origem possivelmente anterior[35]. José M.ª Moar informa que Eulogio Gallego também tocou neste dia a Marcha [fúnebre] de Luis XVI, peça muito conhecida na época, prova disso é o modo em que a nomeia Emilia Pardo Bazán num dos seus romances[36]. A peça tem uma afinação específica[37] e utiliza efeitos sonoros chamativos tais como a tambora, os harmónicos e os rasgados, recursos que, não sendo novos, conferem uns resultados sonoros relativamente novosderivados da evolução na construção do instrumento durante o século XIX etalvez por issosurpreendiamo público da época.As louvas à afinação teriam a ver com a destreza para conseguir as diferentes afinações do instrumento, bem como a excelência na mestria, inteligência e sentimentalismo denotam asua capacidade interpretativa e expressiva.

Meses depois, no domingo 24 de maio do mesmo ano, o articulista José M.ª Moar relatava na Gaceta de Galicia o concerto organizado de novo pelo Círculo Católico de Obreros, no Salão Apolo de Compostela, às 20h da tarde da quinta-feira, dia 21 de maio de 1903. O autor da crónica deixa-nos uma descrição pormenorizada do ambiente popular prévio ao concerto:

“Arropada, como por encanto, la no sé si llame cómoda sillería; iluminados los semblantes por el blanco resplandor de los soles eléctricos; formando típico conjunto los menestrales vestidos con los trapillos de cristianar y nuestras venustas artesanas que algo estrenaban como de rigor en tal fecha, pude observar que era día de revolución por el cambio de las costumbres de invierno, pero necesaria por el calor, y apacible y hermosa por las flores primaverales… Repúblicos de las letras subían á la plataforma, y la conversación grave de modistas y obreros sustituía al chichisveo de las damiselas y los elegantes, concurrentes otros días á aquel salón de verano, que trocó los adornos de estuco por pintura decorativa…”

Depois de serem apresentados os artistas, iniciam o concerto o Orfeão e o Grupo de Plectro do Círculo, dirigidos por Manuel Valverde. Tocam Gavota del Bateo e a petição do público El Pillo e Mariquiña ambas peças de Valverde. O jovem pianista Ángel Brage Villar toca no piano Grand Scherzo de Gottschall e Rondó da 15ª Sonata de Beethoven.O barítono Sr. Muras canta a Cavatina de Ernani de Verdi e, por petição do público, também canta Meus amores de J. Baldomir, obra na que repara o cronista e faz um interessante comentário:

“en que hace varios pasajes difíciles, y gala de su buena vocalización y de dar con fuerza los “allegros de bravura”. Antes que el poco cuidado en su conservación y el demasiado ejercicio oscurezcan una voz de tan gran volumen, ¡que los poderosos le abran el Conservatorio!”

O guitarrista limião toca novamenteMarcha de Luis XVI e a petição do público Malagueña de Vatergenr[sic]”que ejecutó con la guitarra sobre las espaldas”.As obras que precisaram acompanhamento de piano foram assistidas pelo maestro Lens.E recital de poesia com os habituais Santaló, Villelga, Rey Gacio, García Vázquez Queipo e García Sanmillán que recitou umas redondilhas em galego e a petição do público o seu poemaA Orfa.

O dia 11 de junho de 1903 teve lugar o evento solene de fim de curso com música e poesia na sede do Círculo Católico de Obreros, sita na Rua Nova da cidade compostelana[38]. Atuaram o maestro pianista Enrique Lens Viera; o seu discípulo Ángel Brage que tocou oGalop de HenriHerz[39], o barítono Sr.Muras que interpretou uma ária de Simón da zarzuela de R. Chapí, La Tempestad, Hipólito Fernández, cantor,e o grupo de plectro de Valverde que interpretou uns ares malaguenos “que más hermosos y mejor ejecutados no se oyen ni en el mismo Perchel”, a abertura de Agua, azucarillos y aguardiente, zarzuela de F. Chueca arranjada para guitarras e bandurras por Valverde, e a obra Airiños d’a terra[40], depois Valverde dirigiu o Orfeão e interpretaram La canción de Abril de [Laurent de] Rillé[41]. A Eulogio Gallego Martínez o anónimo autor da crónicadedica este parágrafo:

“Es de aplaudir la destreza con que toca la guitarra el joven don Eulogio Gallego; que llamó la atención en los dos números que le fueron encomendados.”

O recital continuou com a parte literária integrada por um discurso sobre caixas de crédito do secretário Rey Gacio onde animou à criação de uma por parte do Círculo. García Sanmillán, García Vázquez Queipo, Villelga Rodríguez e o padre Emelgo intervieram depois. Fechou a velada o presidente do Círculo, Sr. Párraga, encerrando o curso.

Em 12 de agosto do mesmo ano de 1903, a Gaceta de Galicia publica uma notícia[42] assinada por F. P. D. [F. Pérez Deza?] sobre a festa organizada na Escola de Amio, com motivo de uma distribuição de prémios concedidos pela Câmara. Com presença e protagonismo do Círculo Católico, participaram o jesuíta Padre Emelgo, o mestre e cronista do Círculo, José M.ª Moar, e o alunado do centro que realizou uma exposição de trabalhos e vários números demonstrativos da sua formação, incluindo a interpretação de um Alalá e uma Moinheira bailada premiadas no certame das Festas do Apóstolo. A festa foi animada pelo grupo de plectro do Círculo, dirigido por Eulogio Gallego em ausência de Manuel Valverde. Estrearam um passo-dobre dedicado à escola e outras obras que não se especificam. Em nota final, nos agradecimentos, figura o nosso guitarrista e uma relação dos componentes do grupo de plectro[43]. O facto de ser o substituto do maestro Valverde está a indicar o talento e a consideração que tinha como músico Eulogio Gallego Martínez dentro do Círculo Católico.

O literário cronista José M.ª Moar descreve na Gaceta do 10 de dezembro[44] desse mesmo 1903 o recital de música e poesia organizado pelo Círculo o domingo,6 de dezembro anterior, e escreve: “Puede afirmarse de la velada de anteayer que fué regionalista”. O motivo é que a maior parte das obras e poemas recitados eram de autores galegos, o qual era na altura, e ainda é na atualidade, algo exótico na Galiza erudita.Atuaram o Orfeão do Círculo, dirigido por Valverde, que interpretou o Ave Maria de Prudencio Piñeiro e a Alborada de Pascual Veiga. O autor da crónica informa que recentemente dois galegos chegaram da Argentina para conhecer o maestro Valverde, autor de Ay, esperta, adourada Galicia…!. Também intervieram os pianistas Lens e Brage que entre outras obras para piano interpretaram Serantellos, de Lens Viera. E na guitarra:

“con sólo la mano izquierda, unos bonitos armónicos comparables únicamente á los de Juez[45], el seminarista señor Gallego, dándonos á conocer sus composiciones, la muiñeira “Aturuxos” y “Remembranzas”, sentido capítulo de la historia de su corazón.”

Fecham o ato os colaboradores habituais: Vázquez Queipo, Cabeza, Villelga e Rey Gacio que leram poemas de Rosalia; o Sr. Silván que pronunciou um discurso e o próprio cronista, José M.ª Moar, que leu uns seus versos.

O dia 19 de fevereiro de 1904,Eulogio Gallego Martínez,aluno externo de 2.º ano no Seminário compostelano,  apresentou uma solicitude[46] para ordenar-se de Menores e Sub-diaconado. Cinco dias antes apresentava a mesma solicitude no seminário de Ourense. O documento compostelano inclui um parecer favorável do pároco de Sta. Maria a Real de Sar, Antonio Calvo Troiteiro. Mas como se verá depois, nenhuma das duas solicitudes foram bem sucedidas.

Em 6 de maio do mesmo ano[47], naGaceta, o cronista José M.ª Moar continua um artigo incompleto, publicado anteriormente, sobre o último recital músico-poético organizado pelo Círculo Católico em que participou o cantor Sr. Pérez Deza. A respeito de Eulogio Gallego diz:

“Nada dije entonces del guitarrista don Eulogio Gallego y Martínez, ni de su peculiarísima habilidad para producir en los instrumentos de cuerda, apoyando suavemente el dedo sobre las divisiones de la misma, esos sonidos tan agudos y dulces que la Música llama armónicos. Y es que híceme ya lenguas de sus talentos musicales en otras ocasiones y suplicando al lector que dé aquí por reproducidos tales elogios, réstame solamente añadir que el Círculo, sabiendo que el señor Gallego tocaba allí por la vez última, dado que éste va á tener la privilegiada dicha de ordenarse de sacerdote, le despidió con una entusiasta ovación, haciéndole tocar su compendio de cantos regionales “¡Viva Galicia!”, una marcha militar y una pieza de acordes, de las que es autor, y la última de las cuales ejecutó teniendo la guitarra sobre la cabeza y luego sobre la espalda. Yo me despido también del músico y me apresto á besar la mano al presbítero. Tanto pierde el Círculo un elemento trabajador y valioso, como tanto es de esperar que gane el ministerio sacerdotal.”

Finalmente veremos que tal ordenação não chegou a realizar-se. Depois, o cronistarelata a atuação do Orfeão e o Grupo de Plecto do Círculo, dirigidos como sabemos por Valverde, que interpretaram três obras cada agrupação, sendo uma delas El Amanecer, de Eslava, pelo orfeão.Efaz uma breve mas interessante resenha de Manuel Valverde:

“Al lado de esta rondalla tienen que ser nada las reuniones de mozos que tocan y cantan por la noche en las calles de Aragón. Y tanto de ella como de la masa coral creo que sean prolijos los encomios con decir que las dirije don Manuel Valverde, el discípulo predilecto de Trallero; aun muchacho, primer premio de violín en Pontevedra; que desde que fundó el “Orfeón Santiagués” vino recogiendo laureles ya en éste, ya en la dirección del premiado en los primeros juegos florales de esta ciudad; del Gallego, del que tomó parte en el Centenario de Calderón de la Barca; del “Valverde”, premiado en Santiago, Pontevedra, Coruña y Vigo, que ensalzaron en este último punto Cánovas, Elduayen y el Duque de Meiro; como igualmente, del que asistió á la traslación de las cenizas de Rosalía Castro, etc. Por cierto que tanto se admira al señor Valverde en la República Argentina que acabo (y esto sea dicho inter nos), de extinguir el empeño en que me comprometieran y obligaran de allá, haciendo una biografía de nuestro don Manuel, la cual con su retrato y su balada “Un Xuramento” va á publicar el “Centro Gallego” de la gran capital bonaerense.”

De novo uma longa e literária crónica é publicada por José M.ª Moar em 28 de maio do mesmo ano[48], na Gaceta, em que se relataum recital na mansão dos Duques de Medina de las Torres, organizado pela Câmara de Comércio compostelana, cujo secretário na altura era Santiago Martínez Muñoz. Entre os artistas habituais intervém Eulogio Gallego Martínez junto com o que poderia ser um companheiro de turma, Senén Bastida y Alaguero, provavelmente nascido em 1881 na família dos Bastida Alaguero de Valhadolid[49], cujo irmão Justino figuracomo Depositário na Câmara Municipal da Estrada[50]. O cronista não especifica se se tratava de um grupo de voz e guitarra ou um duo de guitarras, nem as obras que tocaram.

Em 7 de janeiro de 1905El Correo de Galicia publica uma notícia do ato académico com recital de música e poesia que organiza o Seminário compostelanocom participação de Eulogio Gallego Martínez, apresentado como guitarrista e diretor do grupo de plectro do centro. Esta agrupação toca um passo-dobre, uma serenata lusitana e uma moinheira. Eulogio Gallego também toca elesó uma obra sem especificar e partilha evento com o coro do Seminário dirigido pelo professor de Canto Gregoriano, Manuel Fernández [Alonso][51]. Deduz-se disto que o maestro Valverde tinha rematado as suas atividades no Círculo e no seu lugar deixou um novo titular da direção do grupo de plectro, Eulogio Gallego, e um novo titular do orfeão, Manuel Fernández, professor de Canto Gregoriano no Seminário.

Em 15 de maio de 1905, achamos a segundasolicitude[52] de Eulogio Gallego Martínez para ordenar-se Sub-diácono, o que evidencia que a anterior não foi bem sucedida.Nela figura o seu endereço em Compostela: Rua de S. Pedro, 68, a sua naturalidade de Ginzo de Límia, e a resposta do Reitor do Seminário Conciliar Central, Emilio Macía Ares que denega a solicitude de Sub-diaconado por ter sem aprovar justamente a matéria de Canto Gregoriano, e exige que a aprove antes da sua ordenação.Uns dias depois, em 22 de maio de 1905, voltava Eulogio Gallego a solicitar a ordenação de Prima Tonsura e Menores em Ourense, ordenação que apesar dos bons informes de Compostela e do seu tutor em Ginzo, não lhe foi concedida.

Não sabemos se terá havido qualquer problema entre o nosso guitarristae o professor de Canto Gregoriano, organista da catedral, que fora também companheiro de recitais, posto que essa foi a única matéria quelhe impediu a ordenação. Resulta estranho que uma pessoa com tantas qualidades musicais reprovasse precisamente aquela matéria relacionada com a música, o Canto Gregoriano, o que induz a pensar que tivessem existido motivos de outra classe. Seja como for, ele não conseguiu ordenar-se e aqui perde-se a pista em Galiza do espectacularguitarrista limiãoEulogio Gallego Martínez. O pesquisador Ramom Pinheiro Almuinha regista no seu trabalho[53] sobre os músicos galegos na Havana um Eulogio Martínezinstalado como professor de guitarra nessa cidade em 1906.Talvez desanimado da carreira eclesiástica por não ter conseguido a ordenação,a morar longe da sua vila natal equem sabe se com dificuldades para subsistir como estudante em Compostela[54],o nosso guitarristapôdeescolher, em solitário ou animado por outros companheiros músicos, o mesmo caminho que tantos e tantos galegos da sua época: a emigração.

A hipótese da emigração de Eulogio Gallego para a Havana explicaria a ausência de atividade pública como músico e também a falta de referências às suas partituras que,à espera de novas informações, devemos considerar perdidas. 

Relação provisória de obras compostas e interpretadas pelo guitarrista Eulogio Gallego Martínez com base nas informações anteriores:

Música composta para guitarra:

  1. Aturuxos.
  2. Remembranzas.
  3. Suite “Viva Galicia!”.

Música interpretada (ademais da anterior):

  1. Marcha de Luis XVI.
  2. La diana.
  3. La retreta.
  4. Malagueña de Vatergenr. [sic]

Como diretor do grupo de plectro do Círculo Católico:

  1. Passo-dobre.
  2. Serenata lusitana.
  3. Moinheira.

São também interessantes as informações sobre o grande músico Manuel Valverde, a sua direção e docência musical em coros e grupos de plectro. A relação de obras interpretadas nestes eventos do Círculo Católico de Obreros (1903-1904) são:

  1. Un xuramento, letra de Manuel Martínez, música de Manuel Valverde.
  2. El Pillo, de Manuel Valverde.
  3. Mariquiña, de Manuel Valverde.
  4. Ai esperta adourada Galicia!, de Manuel Valverde.
  5. Ave María de Prudencio Piñeiro.
  6. Alborada de Pascual Veiga.
  7. Airiños d’a terra.
  8. Um fragmento de El Bateo de Chueca. Gavota del Bateo (podem ser a mesma).
  1. Ares malaguenos.
  2. Abertura de Agua, azucarillos y aguardiente de Chueca.
  3. La canción de abril de Laurent de Rillé.
  4. El Amanecer, de H. Eslava.

[1] Foi batizado o dia 4 na paróquia de Santa Marinha e registado o dia 5 no julgado de Ginzo de Límia.

[2] De avós paternos, Andrés Gallego e Teresa Ballesteros, e avós maternos, Manuel Martínez e Carmen Sánchez, das mesmas localidades samoranas. Arquivo Histórico Diocesano de Ourense: Partida de batismo de Eulogio Gallego Martínez, paróquia de Santa Marinha, fólio 207/r. Signatura: 17.07.07.

[3] Eulogio teve doze irmãs e irmãos: Efigenia, Amelia, Celso (1878-1953), Antonio (n. 1882), Carmen (1884-1956), Felipe (n. 1887), Alfredo, Gerardo (n. 1892), Agripina (n. 1894-1982), Aurelio (1896-1966), Alicia (1898-1941) e Celsa (1900). Dados tomados dos registos de óbitos e nascimentos dos Julgados de Ginzo de Límia. Edelmiro Martínez informa de que Amelia foi mestra nas Neves (Ponte Vedra) e que Aurelio, viajante comercial, casou com Dolores Casas e foram viver a Vigo na década de 1950, dado confirmado na sua partida de nascimento, que em nota na margem indica: “Falleció el día 29 de marzo de 1966, según consta al J.º 99, página 112 de la sección 3.ª del Registro Civil de Lavadores, Vigo”.

[4]El Eco Antelano, ano I, n. 17, 14 de abril de 1912, “Comunicado al Alcalde”. Em Martínez Cerredelo, Edelmiro: A prensa en Xinzo de Limia: século XX (1911-1925), Ginzo de Límia: O Viso, 2005, p. 74.

[5] Nos documentos de nascença de vários dos filhos figura com ofício de “taverneiro”.

[6] Dados do Anuário Bailly-Baillière: Anuario del comercio, de la industria, de la magistratura y de la administración o Directorio de las 400.000 señas de Madrid, de las provincias, de Ultramar, de los estados hispano-americanos y de Portugal, ISSN 2172-8305. E depois de 1911: Anuario General de España. Comercio, industria, agricultura, ganadería, mineria, propiedad, profesiones y elemento oficial, ISSN 2172-8321.

[7] ibid., p. 89.

[8] Martínez Cerredelo, Edelmiro: Historia e memoria. A Limia: 1931-1953, Ginzo de Límia: O Viso, 2008, p. 47.

[9]Um diretor do grupo de plectro da Filarmónica Antelana foi o guitarrista e gaiteiro Alfonso Villarino Rodríguez (Ginzo, 1916). Depois da desaparição do grupo formou um quarteto de guitarras com seu irmão e os dois irmãos Gelpi. Para mais ver: Castro, Cástor; Caseiro, Delfín e Vázquez, Alba: Catálogo de Músicos da Limia: Música tradicional, Difusora de Letras, 2005, p. 31-32.

[10]Martínez Cerredelo, Edelmiro: Historia de Xinzo de Limia, Ginzo de Límia: Grupo “Pedro González de Ulloa” de Estudos Históricos da Limia, 2012, p. 160.

[11] Martínez Cerredelo, Edelmiro, Historia E Memoria. A Limia: 1931-1953, p. 35.

[12]Agradecemos estas informações de E. Martínez Cerredelo.

[13]Documentos consultados no Arquivo Histórico Diocesano de Ourense com as signaturas 01754/014 e 01755/067 (data de consulta, 15/09/2016). São duas solicitudes de ordenação de Prima Tonsura e Ordens Menores, feitas nos mesmos anos e épocas em que também solicitou o mesmo em Compostela. Em ambos os lugares foram denegadas todas as suas solicitudes.

[14]Documentos consultados no Arquivo Histórico Diocesano de Compostela com as signaturas 209, 210, 251 e 306.

[15]Martínez Cerredelo, Edelmiro, Historia De Xinzo De Limia, p. 153.

[16]ibid., p. 150.

[17]Ver o antes citado Castro, Cástor, Delfín Caseiro and Alba Vázquez, Catálogo De Músicos Da Limia: Música Tradicional, e Castro, Cástor: Os sons da Limia: Música tradicional, Ourense: Difusora de Letras, 2009.

[18] Martínez Cerredelo, Edelmiro: Xinzo de Limia na memoria, Ginzo de Límia: Grupo “Pedro González de Ulloa” de Estudos Históricos da Limia, 2016, p. 175.

[19] Martínez Cerredelo, Edelmiro, Historia De Xinzo De Limia, p. 159.

[20]Pai de Alfonso Salvatierra, diretor de La Lira de Riba d’Ávia em 1984. A fonte destas informações é um breve trabalho intitulado Historia da Unión Musical de Parada de Riveira, de Óscar e Daniel López, filhos e netos de músicoslimiãos, publicado pelo Concelho de Ginzo em setembro de 2011, com motivo da homenagem à banda de música de Parada de Ribeira realizada o dia 2 desse mês.

[21] Martínez Cerredelo, Edelmiro, Xinzo De Limia Na Memoria, , p. 103-121.

[22]Cartas eruditas y curiosas, Tomo segundo, Carta Octava, Menagiana, Segunda parte, ponto 26. Consulta em linha na Biblioteca Feijoniana: http://www.filosofia.org/feijoo.htm. (04/10/2013)

[23]Neste parágrafo todas as informações foram tiradas de Martínez Cerredelo: A prensa en Xinzo de Limia. Século XX (1911-1925), 2005.

[24]Entendemos que o poeta dedica o texto ao autor da música Margaritiña que segundo diz é Antonio R. G. Montero. Existiu um Antonio R. G. Montero, advogado em Ourense quem dez anos depois, em 1935, seria chefe provincial da Falange.

[25]Martínez Cerredelo, Edelmiro, Historia E Memoria. A Limia: 1931-1953, p. 360.

[26]Moar, J. Mª: “La velada del Círculo”, El Correo de Galicia: Diario independiente de avisos y noticias, ano IV, n. 674, 25 de fevereiro de 1903, p. 3.

[27] Na mesma notícia da nota de rodapé anterior.

[28] José Santaló foi doutor em Direito, juiz e professor na faculdade de Direito da Universidade de Santiago de Compostela. Autor de La acción patronal en el problema de los retiros obreros, publicado em Madrid, em 1914. Casou com Valentina Rodríguez de Viguri com quem teve a José Luis Santaló Rodríguez de Viguri (n. 1909) historiador e biógrafo, autor de Historia del constitucionalismo español (1966), Familias pontevedresas: Los Rodríguez Seoane (1969), Notas para una interpretación de la España contemporánea (1971), España en los Estados Unidos (1973) e Los caballeros de la orden de Santiago en el siglo XX (1979).

[29]Emilio Villelga Rodríguez (Compostela, 1846-1934), sacerdote, teórico e jornalista, foi professor no Seminário, no Instituto e na Escola Normal Superior de Compostela, redator em El Porvenir, diretor de Galicia Católica e colaborador em La Revista Popular. Beneficiário da catedral e correspondente da RAG.

[30] Antonio García Vázquez Queipo (Vilela-Vale de Orras, ? – Compostela, 1912), sobrinho de Vicente Vázquez Queipo de Llano (Samos, 1804 – Madrid, 1893), dele diz Carvalho Calero que era doutor em Direito, morto em Compostela o 30 de novembro de 1912, traduziu do italiano A Cruz, poema de Pietro Paolo Parzanese e dedicou um serventésio a Rosalia Castro de Murguia [em nota: La Patria Gallega, núm. 5, p. 7]. Ricardo Carvalho Calero, Historia da literatura galega contemporanea (Vigo: Galaxia, 1981), p. 464.

[31] Leandro María Silván, catedrático e secretário do Instituto (Instituto de Segunda Enseñanza, sito na altura na praça de Maçarelas).

[32] Santiago Casares Bescansa, médico da Armada como o seu irmão Javier, ambos primos de Santiago e Arturo Casares Quiroga.

[33] Juan San Emeterio de la Fuente, em 1903 era professor catedrático de Alemão em Compostela, depois em 1904 concursou e obteve a vaga na Escuela de Comercio de Zaragoza, e chegou a ser Diretor da de Valência. Em 1911 escreve a Marcelino Menéndez Pelayo uma carta, como membro ou cargo da Sociedad Valenciana de Agricultura, solicitando uma recomendação para o seu filho, Juan San Emeterio de la Fuente Díaz, que realiza os exames para a cátedra de Geografia e História. No Centro Documental de la Memoria Histórica figura um expediente criado entre 1940 e 1963 a um Juan San Emeterio de la Fuente.

[34]El Bateo, sainete lírico en un acto, estreado em Madrid, o 7 de novembro 1901, com libreto de Antonio Domínguez e Antonio Paso.

[35] Duas peças com os mesmos títulos (La Diana e La Retreta) se acham no manuscrito com data de 1761 de Manuel Espinosa de los Monteros (ca. 1730-1810) intitulado Libro de la ordenanza de los toques de pífanos y tambores que se tocan nuevamente en la infantería española. Não podemos comprovar se se trata das mesmas obras, mas dada a formação erudita de Eulogio Gallego é bem possível que as conhecesse. Deve ter-se em conta que esse caderno era destacado na época dado que nele figura a Marcha de Granaderos que Isabel II tinha declarado como hino oficial da Espanha. É também possível que Eulogio Gallego tivesse realizado os seus próprios arranjos para guitarra e os tocasse em imitação da música marcial composta pelo oboísta Espinosa no século XVIII.

[36] Emilia Pardo Bazán, Doña Milagros (1894): “Si allá, por los tiempos en que era Neirita el estudiante y rasgueaba en la guitarra, en tertulias caseras, la Marcha de Luis XVI yendo al cadalso, pude alabarme de una regular presencia, ahora de todo apenas quedaban señales; […]”

[37] Tomamos esta informação da transcrição de Melchior Cortez, publicada por Romero Fernández na Argentina e no Brasil em 1928, disponível em linha na Biblioteca della chitarra e del mandolino: http://www.justclassicalguitar.com/vpmusicmedia/biblioteca.php.(21/8/2016) A afinação é: 6.ª Mi, 5.ª Lá, 4.ª Lá, 3.ª Mi, 2.ª lá e 1.ª dó#.

[38] Moar, J. Mª: Gaceta de Galicia, ano XXXIIa, n. 130, 14 de junho de 1903, p. 2.

[39] Henri Herz (Viena, 1803 – Paris, 1888), pianista, compositor, professor e construtor de pianos austríaco afincado em Paris.

[40] O cronista diz que tocaram esta obra “a instancias del señor Suárez Salgado”, provavelmente Francisco Suárez Salgado, fundador da revista Acción Católica.

[41] Laurent de Rillé (Orleans, 1824 – Paris, 1915), professor, compositor e orfeonista francês.

[42] F. P. D.: “Fiesta escolar”, Gaceta de Galicia, ano XXXII, n. 177, 12 de agosto de 1903, p. 1.

[43] “Don José María y don Luís Iglesias Nine, don Fernando y don Constantino Barcia Veiras, don Daniel y don Leopoldo Cebreiro, don Jesús Cajaraville, don Isolino López García, don José y don Santiago Villar, don Aurelio Villegas, don Enrique Barral Barreiro, don Ezequiel Vázquez y don Camilo Estévez”.

[44] Moar, J. Mª: “Erráticas”, Gaceta de Galicia, ano XXXIIb, n. 274, 10 de dezembro de 1903, p. 3.

[45] Refere-se ao eminente guitarrista cego Esteban Juez Ferrer, que tinha tocado muito na Galiza durante o ano 1902 e janeiro de 1903.

[46]Arquivo Histórico Diocesano de Compostela: São dois fólios correspondentes a dois formulários da mesma solicitude com a signatura: 1062-651/31.

[47] Moar, J. Mª: “De re artística”, Gaceta de Galicia, ano XXXIIIb, n. 100, 6 de maio de 1904, p. 2.

[48] Moar, J. Mª: “Mensajera”, Gaceta de Galicia, ano XXXIIIa, n. 118, 28 de maio de 1904, p. 1.

[49] Em Geneanet.org estão registados cinco irmãos: Mariano (n. 1878), Senén (n. 1881), Indalecia (n. 1883), Justino (n. 1887) e Felix (n. 1890). Mariano está localizado em Madrid em 1940.

[50]El Emigrado (A Estrada: Propiedad de la Soc. Hijos del Ayuntamiento de La Estrada en Cuba, ano XVII, n.º 572, 7 de agosto de 1936).Artigo da capa intitulado “Suscripción para el Ejército Libertador de España”, em plena guerra civil, a Câmara visava angariar fundos para financiar o bando golpista.

[51]Manuel Fernández Alonso, m. 1947, primeiro organista da catedral compostelana até 1912 e professor de Canto Gregoriano no Seminário do mosteiro benedictino de S. Martinho Pinário. Informação de Miguel Ángel López Fariña em 31/08/2016.

[52] Arquivo Histórico Diocesano de Compostela: São dois fólios correspondentes a dois formulários da mesma solicitude com a signatura: 1062-651/37.

[53]Ramom Pinheiro Almuinha, A La Habana quiero ir (Compostela: Sotelo Blanco Edicións, S.L., 2008), p. 99.

[54]Aventuramos uma hipótese não infrequente: A decepção familiar e sua própria pelos resultados do Seminário poderia ter desembocado na emigração do filho para Cuba, como tantos outros músicos ourensanos.

 

Este artigo de Isabel Rei forma parte dun traballo dá súa tésis doutoral, a quén agradecemos nos permita a súa divulgación para coñecemento da historia deste limiao.

 

 

 

 

 

 

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